Os transportes públicos, espaços públicos e os mercados de comércio informais do país, em particular Luanda, têm sido “arena” de constantes conversas impróprias por parte dos cidadãos, segundo um inquérito feito pela equipa do KilambaNews aos populares.
O inquérito verbal realizado durante vários dias pelo KN, apurou que as conversas impróprias são vividas diariamente pela sociedade, pelo que comportamento discriminatório, violento, ofensivo ou de conduta sexual foram as mais apontadas pelos cidadãos.
Albertina Yango, utente dos
transportes públicos e privados da centralidade do Kilamba, disse ao KN que
conversas impróprias são “bastantes frequentes” e, sublinhou, difíceis de
controlar ou impedir, pois, o indivíduo que as usam sente que devem falar
livremente sem algum respeito pelas pessoas.
“As pessoas devem perceber que o
facto de estarmos a andar juntos nos transportes público e privado, não somos
das mesmas intimidades. Deve haver algum respeito para que ninguém se sinta mal. Já foi vítima de descriminação”, lamentou a utente.
A mesma ideia é partilhada por
Solange da Fonseca, que fala da falta de educação por parte de alguns cidadãos
durante a viagem de autocarro.
“Já não é fácil aturar uma viagem
de autocarro ou de táxi devido à
enchente que se regista e do andar e parar do mesmo. Agora, caro jornalista,
imagina com conversas de falta de respeito?”, questionou, acrescentando que
“muitos utentes dos autocarros não têm respeito, já me chamaram malanjina.
Pensam que todas as pessoas vivem e convive no mesmo sítio, nem que vivêssemos.
Temos de nos respeitar”.
João Bernardo, 37 anos, que na
altura do inquérito se dirigia ao trabalho, explicou que entende cada
posicionamento, mas, disse, devemos perceber que só se sente ofendido por
conversas impróprias da pessoa que se identifica com as tais palavras.
“Eu ouço ofensas diariamente. Não
ligo e deixo as pessoas falarem. Podem ofender como não, a mim não diz nada. Aliás, para
mim, o mais importante é chegar bem no meu local de trabalho. O que acontece no
autocarro fica no autocarro”, atirou.
Madalena Ambrósio, 43 anos,
vendedora ambulante, sublinhou a nossa equipa de reportagem que conversa
imprópria em particular na praça não vão parar de existir, pois, é uma forma de
desabafo que algumas pessoas encontram.
“Aqui na praça é tipo um jogo de
luta livre. Todos ofendem, todos falam de sexo, insultam as regiões das
pessoas, o sotaque e de tudo. Já estou habituada a isso. Só não levo essas
conversas na minha casa. Para mim, é normal e cada um sabe o que deve fazer
para se sentir bem e para ser observado pela maioria”, disse a vendedora
rindo-se pelas suas palavras.
Por último, outra vendedora, que
não queria dizer o seu nome, referiu que usa as palavras impróprias para se
defender caso seja insultada por alguém.
“Sou muito malandra, mas também
calma. Só ultrapasso a minha linguagem quando sou provocada. Falo tudo que for
necessário para te machucar bem.