O principal partido da oposição angolana, UNITA, apresenta,
hoje, a sua candidatura às eleições gerais de 24 de Agosto deste ano, anunciou
ontem o Tribunal Constitucional (TC).
Numa nota à imprensa, o TC precisa que a entrega da candidatura
da UNITA está agendada para as 16:00 horas de terça-feira, no Palácio da
Justiça, em Luanda. Os processos de candidatura para o escrutínio de 2022 devem
dar entrada no Tribunal Constitucional, de 06 a 25 de Junho corrente, segundo a
lei eleitoral.
Até agora, três formações políticas já entregaram as suas
propostas, designadamente o partido maioritário MPLA, que detém 150 lugares no
Parlamento, e a coligação eleitoral CASA-CE, segunda maior força política da
oposição com 16 deputados. Às duas formações políticas juntou-se a Aliança
Patriótica Nacional (APN), partido sem assento no Parlamento que esta
segunda-feira formalizou a sua candidatura junto do TC.
A UNITA (União Nacional para a Independência Total de
Angola) detém actualmente 51 deputados num Parlamento de 220 assentos. Foi
fundada, em 1966, por Jonas Savimbi e António da Costa Fernandes como movimento
de libertação, antes de se converter em rebelião armada após a Independência
nacional de 1975. Com a assinatura dos Acordos de Paz de Bicesse de 31 de Maio
de 1991, que puseram fim ao sistema de partido único então vigente, no país, a
UNITA transformou-se em partido político.
Sob a liderança de Jonas Savimbi, participou nas primeiras
eleições gerais da história de Angola, em Setembro de 1992, quando ganhou o
estatuto de segunda maior força política do país com 70 deputados ou 34,1 por
cento dos votos.
Nas eleições presidenciais realizadas em simultâneo com as
legislativas, o seu líder Jonas Savimbi obteve 40 por cento dos votos contra
49,57 de José Eduardo dos Santos pelo MPLA. Esses resultados exigiam uma
segunda volta do escrutínio presidencial, uma vez que nenhum dos dois
candidatos mais votados atingira a maioria absoluta.
A segunda volta acabou por ser inviabilizada pelo conflito
armado que se seguiu à crise pós-eleitoral de então na sequência da rejeição
dos resultados das presidenciais por Jonas Savimbi que alegou fraude eleitoral.
O novo conflito armado interrompeu a regularidade do
processo eleitoral até 2008, quando se realizou as segundas eleições gerais,
depois do fim da guerra com a morte em combate de Jonas Savimbi, em 22 de
Fevereiro de 2002.
Nos pleitos eleitorais que se seguiram, a UNITA, já liderada por Isaías Samakuva em substituição de Savimbi, obteve sucessivamente 16 deputados (2008), 32 em 2012 e 51 em 2017. Actualmente, o partido é liderado por Adalberto Costa Júnior, antigo líder da Bancada Parlamentar que pretende disputar a Presidência da República.
Redação KilambaNews: 948088977