Vandalismo e assaltos preocupam moradores da Centralidade da Marconi

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Centralidade Cazenga Marconi

Moradores da Centralidade da Marconi, no distrito do Hoji Ya Henda, no município do Cazenga, clamam por um posto policial com maior número de efectivos, face ao elevado índice de actos de vandalismo e de assaltos em residências, com recurso à arma de fogo, de que têm sido alvo.

A reportagem do Jornal de Angola constatou no local que mais de 200 portas e 100 contadores de energia eléctrica foram vandalizados, mas algumas foram apreendidas pela Polícia da Ordem Pública, com apenas quatro efectivos, aí destacados.

A viverem uma clima de tensão, os residentes consideram difícil enfrentar os meliantes quase todos os dias, muito dos quais em posse de arma de fogo. A falta de energia eléctrica na via pública e de policiamento, sobretudo às noites, está na origem do aumento da delinquência.

Joana Domingas, doméstica de 34 anos, residente no Hoji Ya Henda, revelou ao Jornal de Angola que os postes de iluminação colocados nas ruas servem apenas de enfeite e não propriamente para iluminação pública.
“Frequento esta centralidade desde que foi inaugurada. No princípio era um “mar-de-rosas”, mas, infelizmente, nos dias de hoje, sobretudo no período nocturno, não é aconselhável passar por aqui, pois corre-se muitos riscos”, conta.
Acrescentou ainda que as ruas ficam às escuras e, com base nisso, os amigos do alheio aproveitam-se da situação. “Eles fazem das suas e, muitas vezes, com recurso à arma de fogo”.

José Joaquim, de 45 anos, funcionário público e morador da centralidade queixa-se, igualmente, da falta de iluminação pública nas vias e na urbanização. “A escuridão tem ajudado os meliantes a fazerem das suas”, desabafou.
Quem alinha do mesmo pensamento é Luzia Neto, que considera ser difícil viver num clima de tensão quase todos os dias. “ A minha casa já foi assaltada por duas vezes. Os ladrões levaram vários utensílios de cozinha, inclusive a botija de gás”.

Explica que acção do género ocorre com normalidade, principalmente aos fins-de-semana. “Os assaltos em minha casa foram à luz do dia, quando me encontrava ausente, tudo porque a zona não tem segurança. Estamos atirados à nossa sorte ”.

O presidente da Comissão de Moradores, Euclides Carlos, disse, ao Jornal de Angola, que a maior parte dos edifícios está desabitada, o que constitui um perigo iminente. Acrescentou que isto tem originado com que as residências por habitar sejam alvo de vandalismo.

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, intendente Hermenegildo de Brito, disse, ao Jornal de Angola, que a corporação está ao corrente da situação e o Comando Municipal do Cazenga trabalha no sentido de reforçar, nos próximos dias, o efectivo naquela centralidade para pôr cobro aos problemas que aí se registam.“Estamos por dentro da situação que se vive na Centralidade da Marconi, que tem a ver com os assaltos e vandalismo das casas. O Comando Municipal do Cazenga já está a trabalhar neste sentido para inibir a criminalidade”, tranquilizou.A centralidade conta com 30 edifícios concluídos, dos 74 previstos, com uma média de 16 apartamentos cada. A mesma foi construída no âmbito do projecto de requalificação do Distrito Urbano do Sambizanga, mas o grosso dos edifícios está desabitado, numa altura em que muita gente procura um tecto para morar.

Na centralidade cada edifício dispões de apartamentos T2 e T3. Tem duas escolas, sendo uma do ensino primário e outra do ensino secundário, mas não foi projectada uma esquadra policial.
Erguida numa área de 20 hectares (equivalente a 20 campos de futebol), a urbanização tem também 24 lojas, ainda por distribuir, o Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (SIAC), que ainda não funciona, e uma estação de tratamento de água.

Inaugurado em Agosto de 2017, pelo ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a Centralidade da Marconi está situada na zona adjacente à Refinaria de Luanda, na conhecida Petrangol, num espaço onde funcionava o centro de comunicações, cuja extinção deu lugar à construção de edifícios modernos.

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