QUANDO O DINHEIRO CHEGA… E A MENTE NÃO ACOMPANHA

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Ao longo da vida, muita gente sonha com mais dinheiro.

Mais conforto, mais possibilidades, mais liberdade para fazer aquilo que antes não podia. E isso é natural. Quem não tem, imagina. Quem já passou dificuldades, então, sonha com ainda mais intensidade.

Mas hoje não é sobre o sonho.

É sobre quando o dinheiro chega… de repente.

Sem preparação, Sem processo, Sem estrutura interna para o sustentar.

Estamos a falar de quem ganha um prémio, recebe uma herança, entra num negócio rápido, envolve-se em actividades que geram muito dinheiro em pouco tempo, ou até de quem simplesmente “acerta” numa oportunidade que muda tudo de um dia para o outro.

Enquanto escrevia, lembrei-me daquele quadro do programa apresentado por Luciano Huck, onde famílias tinham as suas casas totalmente transformadas. Saíam de uma realidade simples para algo completamente novo, bonito, moderno.

Também me veio à memória reportagens sobre pessoas que enriqueceram rapidamente com o garimpo de diamantes.

E há algo que se repete com uma frequência que não pode ser ignorada.

Passado algum tempo, muitas dessas pessoas voltam praticamente ao ponto de partida.

A casa volta a degradar-se.

O dinheiro desaparece.

A vida regressa ao mesmo lugar de antes.

E não é só lá fora.

Aqui entre nós, em Angola, conhecemos histórias assim.

Gente que teve muito… e depois perdeu tudo.

Mas porquê? Será falta de sorte? Ou há algo mais profundo?

Na área da psicologia financeira fala-se muito de um conceito chamado “termóstato financeiro”. É como se cada pessoa tivesse um nível interno de conforto com o dinheiro. Quando esse nível é ultrapassado de forma brusca, sem preparação, a tendência inconsciente é voltar ao ponto conhecido.

Não porque a pessoa quer perder.

Mas porque não sabe sustentar.

Estudos sobre vencedores de lotarias, por exemplo, mostram que uma grande percentagem enfrenta dificuldades financeiras poucos anos depois de ganhar grandes quantias. Não é apenas sobre dinheiro. É sobre comportamento, hábitos, mentalidade.

E quando olhamos para a prática, começamos a perceber os padrões.

Gastos impulsivos.

Aquisição de coisas para compensar tudo o que não se teve antes.

Novas amizades, muitas vezes interessadas.

Uma sensação de que “agora posso tudo”.

E talvez o mais perigoso de todos: a ilusão de que o dinheiro não vai acabar.

E vai.

Se não houver consciência.

Se não houver disciplina.

Se não houver visão.

Porque o dinheiro amplifica quem nós somos.

Se já havia desorganização, ela aumenta.

Se havia impulsividade, ela intensifica.

Se havia vazio, ele tenta ser preenchido com consumo.

Agora, deixa-me trazer isto para ti.

Se hoje entrasse na tua conta uma quantia muito acima daquilo a que estás habituado… estarias preparado?

Ou irias apenas reagir?

Porque não é o dinheiro que muda a vida.

É a forma como lidamos com ele.

E isso aprende-se.

Para quem se vê nessa posição, há algumas coisas simples, mas poderosas.

Primeiro, não tomar decisões grandes de forma imediata. O entusiasmo é inimigo da clareza.

Segundo, manter um estilo de vida equilibrado, pelo menos nos primeiros tempos. Não é preciso provar nada a ninguém.

Terceiro, procurar orientação. Alguém com conhecimento financeiro, alguém que ajude a estruturar.

Quarto, observar as novas relações. Nem toda aproximação é genuína.

E, talvez o mais importante, trabalhar a mente. Porque sem mudança interna, qualquer mudança externa é temporária.

Agora, também é justo dizer.

Nem todos falham.

Há pessoas que recebem muito e conseguem multiplicar.

Que usam o dinheiro como ferramenta, não como fuga.

Que investem, organizam, crescem.

Esses não são apenas sortudos.

São preparados.

Ou tornaram-se preparados.

Talvez a reflexão de hoje seja essa.

Mais importante do que ter muito… é saber sustentar o muito.

Porque há quem passe a vida a pedir oportunidades.

E quando elas chegam… não consegue mantê-las.

E no fim, não foi o dinheiro que faltou.

Foi a base.

Receba o meu carinhoso e apertado abraço e a promessa de voltar para mais partilhas matinais.

N’gassakidila.
Por: Lídio Cândido Valdy

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