Há qualquer coisa profundamente errada connosco

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Por: Ademar Rangel

Assistir a cidadãos a derrubarem um polícia numa moto… enquanto outros filmam e riem… não é apenas chocante.

É revelador.

Revelador de um país que está a perder a noção do limite.
Revelador de uma sociedade onde o desrespeito virou espectáculo.
Revelador de um tempo em que a autoridade deixou de ser levada a sério e passou a ser ridicularizada.

Já fomos diferentes.

Houve um tempo em que a farda não era motivo de piada. Era símbolo de ordem. De responsabilidade. De presença do Estado.
Não era perfeito, mas havia uma linha. E essa linha era respeitada.

Então e Hoje?
Hoje filma-se. Hoje ri-se. Hoje partilha-se.

E amanhã?
Amanhã lamenta-se.

Porque quando a autoridade cai na rua, não é só um agente que cai.
É um pedaço da estrutura que mantém tudo isto de pé.

Mas também é preciso dizer o que muitos evitam:
o respeito não nasce do nada.
Constrói-se.

Constrói-se com justiça.
Com actuação correcta.
Com instituições que mereçam ser respeitadas.

Sem isso, o vazio é ocupado pelo quê?
Pelo caos.

E o mais perigoso é isto: estamos a normalizar.

Estamos a transformar episódios graves em conteúdo. Estamos a trocar consciência por likes.
Estamos a assistir — de telemóvel na mão — à degradação da nossa própria sociedade.

E achamos graça.

Até ao dia em que já não tiver graça nenhuma.

Quando uma sociedade perde o respeito pelas suas instituições, o problema nunca é só da polícia.

É sempre um espelho.

E o que ele está a mostrar… não é nada bonito.

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