Crise? Só devo estar “Inocente”

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Por: Edy Lobo

Toda a arte feita com a visão nos ganhos financeiros perde a originalidade e o núcleo do embrião que por si só poderia naturalmente ser concebida. A alma é o autor da obra criada com os olhos no amor e num futuro distante dos imediatos ganhos financeiros. Penso em artistas como Paulo Flores que usaram microfones e não megafones para desabafar suas dores; penso em Filipe Mukenga que não apenas canta mas usa a música para evangelizar almas inócuas perdidas num pseudo-bem-estar noticiado pelos amigos da paz utópica.

Vezes há que vejo-me ao esmo desfolhando as páginas do dia e quando por mim dou, estou a rabujar usando um lápis que, coitada da folha que culpa nenhuma tem nisto, é obrigada a reflectir toda uma verborreia com sentido que me aflige a torga.

Em todos os palcos noticiosos com marmeladas de fake news e com o objectivo declarado e quase provado de desestabilizar a nossa pacata sociedade é atestado o estado da nação. A crise mora aqui e acolá; tem parentes próximos; chamam-se fome e miséria. O exacto paradeiro dela? Nem precisa procurar muito; é só olhar com os olhos de ver sem precisar de prestar atenção e notaremos que há alegria forçada no rosto do patriota e lágrimas adiadas nas fuças do religioso, este último que a toda hora só pergunta quando é que Jesus volta para levar a terra que lhe pertence.

A ansiedade já é nossa vizinha. Queremos tudo fazer, não importa como, desde que uma lufada de ar fresco nos beije o pulmão e possamos com algum suspiro arrotar felicidade em notas musicais.

A fome e as promoções estão a competir no mesmo campo. A TAAG, Linhas Aéreas de Angola está a desafiar a crise e seus sobreviventes com uma “Mega” campanha de venda de bilhetes para a Europa e outros lugares com um preço de fazer arranjar “katuta” em casa com o/a cônjuge caso a vontade de se ausentar seja egoísta. Mas agora assim, viajo para respirar um ar que não é ganho de batalhas políticas com engodos de vida boa ou continuo mesmo só aqui na terra onde a balbúrdia já está a negociar um bom espaço dentro dos 1.246.700 km2? Vou só mesmo tentar viajar e o resto assume-se com a irresponsabilidade.

Por azar das circunstâncias ou força do divino apercebo-me que já não há bilhetes para as promoções em nenhuma das datas. Mas espera aí? Há crise no país e já não há lugares para viajar? Que crise é essa? Crise financeira ou crise de paciência e ansiedade? Estarão a aproveitar-se desta para ir repensar suas condições patrióticas? Ou será que as artimanhas e oportunismos para um bom cambalacho, feito pelos operadores do call center e funcionários da TAAG já começou? Numa altura em que foi anunciada que a greve dos deuses do ar, os chamados pilotos, foi desconvocada, viajar agora é com um pouco mais de tranquilidade. Sabe-se lá quando é que o insatisfeito lembra que está a faltar 1 milhão no salário e subsídios e atira o pássaro grande para o chão sem dó nem piedade? Brincadeiras à parte.

Só para lembrar: é neste palco miscelânico de problemas sem soluções aparentes, que queremos viver para nós e para o nosso dourado ego. “Deixa só; cuida da tua vida e da tua família…”; foi assim que me foi dito quando tentei agir depois de ter visto um “pai” a molhar no copo de cerveja a chupeta do filho de aparentemente 9 meses e a voltar a colocar na boca da mesma e de seguida oferecendo um gole da mesma bebida num ambiente totalmente promíscuo.

Há vezes que quero dormir e não acordar para essa realidade ardilosa mas mantendo-me vivo. Como impossível o é, vou fazer como aconselha Paulo Flores: “Estar de regresso a vida” mas parafraseando a minha situação e “viver totalmente inocente”.

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