BPM é Cultura…

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Este artigo, visa promover uma reflecção em torno da importância da cultura organizacional no desenvolvimento de iniciativas de BPM.

Feliz ou infelizmente, toda a minha experiência em BPM tem sido construída no sector Público (Hard Core!!!), famoso pelas práticas organizacionais no mínimo desajustadas ou desfasadas no tempo, tendo como base uma grande influência do modelo de gestão funcional, assente na hierarquia e excessiva burocracia decorrente da visão em “silo”.

Toda vez em que me deparei com grandes dificuldades em projectos de BPM ao ponto de colocar em causa a viabilidade dos mesmos, a causa raiz era maioritariamente relacionada a cultura organizacional.

• A falta de patrocínio, com a liderança muito mais preocupada em exercer e exercer poder, do que promover a auto-suficiência organizacional;
• A falta de suporte das partes interessadas , no levantamento, validação e monitorização dos processos, pois estas estão preocupadas somente com a realização daquilo que entendem ser a sua atribuição (focados no silo), entre outras, são práticas que em nada beneficiam o desenvolvimento de tais iniciativas.

Edgar Schein um dos maiores responsáveis pela divulgação e desenvolvimento do conceito de cultura Organizacional, descreve-a como um modelo de crenças, rituais e valores criados e seguidos por um determinado grupo.

A cultura organizacional remete para comportamentos implícitos que contribuem para a criação características únicas de cada empresa, bem como para a edificação da sua identidade que pode coincidir com uma imagem positiva, revestindo a empresa de prestígio e reconhecimento ou o inverso.
Conforme citei acima é comum vermos instituições públicas governadas por intermédio de um modelo de gestão funcional e obviamente com uma cultura organizacional totalmente identificada com este modelo.

A filosofia da gestão por processos de negócios, tem na sua génese o conceito de valor agregado, ou seja a organização deve prover um produto ou serviço com valor reconhecido pelos seus clientes mediante seus processos de negócio (conjunto de actividades encadeadas e multifuncionais que transformam uma entrada numa saída com valor agregado), materializando toda a estratégia previamente definida.

O dia-a-dia de uma organização orientada a processos, é em suma um ritual que consiste na monitorização do desempenho dos processos, a identificação de oportunidade de melhorias e o refinamento dos processos visados, tendo em vista as oportunidades identificadas.

Portanto, é fundamental não só um estudo prévio da maturidade da organização no modelo de gestão por processos, que aliás pode ser nenhuma, diga-se de passagem (embora eles existam, não estão documentados, institucionalizados e ninguém faz a mínima ideia do que se trata), o que trás ao de cima a necessidade de se estudar também a cultura organizacional e desde logo ir promovendo práticas alinhadas com o modelo de gestão por processos, promovendo uma nova cultura alinhada ao modelo, com práticas como auto a crítica, a partilha de conhecimento, a promoção de ideias de inovação, a responsabilização e sobretudo a comunicação, tudo no sentido de criar um ambiente que suporte a tão necessária transformação organizacional dada a extrema competitividade do mercado e a existência de clientes cada vez mais informados e exigentes.

Nivaldo Van-Dúnem da Gama
Analista de Processos de Negócios / Gestor de Projectos
20/11/2018

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