A visita do Papa Leão XIV a Angola gera expectativa e controvérsia: enquanto a Igreja mobiliza fiéis, cresce o debate sobre o papel do Estado no financiamento de um evento simultaneamente religioso e político.
O Papa Leão XIV chega a Luanda a 18 de abril para uma visita de três dias, naquela que será a sua primeira digressão pelo continente africano, incluindo passagens pela Argélia e pela Guiné Equatorial.
A poucas semanas da chegada do Pontífice, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), lançou uma campanha de angariação de fundos, reacendendo o debate sobre quem deve financiar uma visita papal. Analistas lembram que, tratando‑se também de uma visita de Estado, cabe ao Governo assumir parte dos custos, enquanto a Igreja pode mobilizar recursos próprios para as atividades pastorais.
Em entrevista à DW, Dom António Jaka, responsável pela Comunicação da CEAST, afastou qualquer polémica na mobilização de fundos, sublinhando que a contribuição é voluntária: “Cada um dá segundo as suas possibilidades — não há pobre que não possa dar, nem rico que não possa receber.”
O Bispo de Benguela diz ainda que a igreja é baseada no princípio de comunhão – partilha.
DW África: Como está sendo a preparação da visita do Papa Leão XIV à Angola?
Dom António Jaka (DAJ): A preparação é dupla. Está sendo feita uma preparação espiritual – as comunidades cristãs católicas foram convidadas a rezar para o êxito desta visita. E, por outro lado, também uma preparação material – a mobilização dos peregrinos a partir das várias dioceses para os diferentes momentos da celebração com o Santo Padre. Os preparativos estão numa fase já bastante adiantada. O Santo Padre encontrará uma comunidade viva e alegre.
DW África: Está previsto encontros com os atores políticos e sociais em Angola, que não sejam necessariamente católicos?
DAJ: Sim. No primeiro dia da chegada do Santo Padre, depois da receção ao aeroporto, terá um encontro privado com o senhor presidente da República, João Lourenço, e depois seguirá o encontro com a sociedade civil, com o corpo diplomático, e certamente com os membros do governo.
DW África: O Papa tem um simbolismo por ser uma autoridade religiosa. Será também uma das agendas do Papa discutir com as autoridades angolanas sobre a extrema pobreza e a vida política do país?
DAJ: A Santa Sé está informada do que se passa no nosso país. Certamente, todos os papas que por aqui passaram não deixaram de fazer um apelo à melhoria da situação social de Angola.
Não creio que fugirá à regra o Papa Leão XIV. Portanto, faz parte sempre da visita dos Santos Padres poder, com as autoridades da ordem civil, indicar caminhos e conselhos para que os atores sociais e atores políticos possam reger a sua ação tendo em vista o bem comum de todos.
DW África: Um assunto que está a ser criticado nos últimos dias em Angola tem a ver com um suposto anúncio que a Igreja fez a pedir contribuição dos crentes. Como é que reage a isso?
DAJ: Qualquer visita pastoral necessita de recursos. Faz parte da missão da Igreja a solidariedade e isso não foge à regra. Esta contribuição necessária é perfeitamente natural e normal. Eu não vejo aqui nenhum motivo de polêmica.
Acho pelo contrário, que nós não podemos pôr os cristãos católicos e pessoas de boa vontade de parte. Há despesas que tem a ver com o acolhimento dos peregrinos. A coleta é feita sempre nesse sentido. Cada um dá segundo as suas possibilidades. Portanto, não há pobre que não possa dar, nem rico que não possa receber.
DW África: O Estado angolano irá apoiar financeiramente esta visita?
DAJ: O Estado tem as suas responsabilidades e está a fazer a sua parte. É uma visita também com a componente estatal. Por isso, existe uma comissão interministerial que foi criada para este fim. Portanto, o Estado está a participar nesta componente e está a fazê-lo como sempre o fez como nas visitas anteriores, com muita responsabilidade.
















