MÓNICA: UMA MORTE ESTRANHA EM PLENA CENTRALIDADE DO KILAMBA

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Uma situação grave, dolorosa e envolta em silêncio oficial marca a morte de Mónica, ocorrida em dezembro de 2025, em Luanda. O caso levanta sérias suspeitas sobre a atuação das autoridades, o funcionamento da morgue e a violação de direitos básicos da família da vítima.

Uma morte ocorrida em plena centralidade do Kilamba, uma das zonas mais habitadas e vigiadas de Luanda, está a gerar indignação, medo e um rastro de perguntas sem resposta. Mónica, jovem cidadã angolana, morreu no dia 18 de dezembro de 2025, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Mais de uma semana depois, a família ainda não sabe oficialmente como, porquê, nem onde o corpo da vítima foi enterrado.

Segundo informações posteriormente transmitidas à família, Mónica teria sido morta no dia 18 de dezembro e deu entrada na Morgue Geral de Luanda Josina Machel, conhecida como Maria Pia, no dia 19 de dezembro de 2025. No entanto, o que torna o caso ainda mais perturbador é o facto de o seu enterro ter ocorrido no dia 22 de dezembro — sem o conhecimento, consentimento ou presença de qualquer familiar direto.

A família garante que nenhum membro foi informado do falecimento. Apenas no dia 24 de dezembro, indivíduos que se identificaram como agentes do SIC da esquadra 51 do Kilamba, acompanhados por uma amiga da falecida, deslocaram-se à residência do pai de Mónica para comunicar a morte da filha. Na ocasião, deixaram um papel onde constava que o corpo se encontrava na morgue do Maria Pia, na câmara 1, para efeitos de identificação.

Quando os familiares se dirigiram à morgue, depararam-se com uma situação ainda mais chocante: o corpo de Mónica não se encontrava no local. Apenas uma fotografia da falecida foi apresentada. Posteriormente, os familiares foram orientados a dirigir-se à esquadra onde teria sido feita a primeira denúncia, mas até à data não houve qualquer esclarecimento concreto, nem informação sobre a localização do corpo.

Enquanto o silêncio oficial persiste, circulam versões contraditórias sobre o que realmente aconteceu. Uma das versões aponta que Mónica teria passado mal após consumir quizaca (sakamadesso), preparada pela patroa de uma amiga com quem trabalhava no Kilamba. Outra versão, mais grave, sugere a possibilidade de violência, assalto ou agressão, alegadamente por Mónica ter recusado entregar algo que lhe teria sido exigido.

Há ainda informações não desmentidas de que Mónica estaria grávida de aproximadamente um mês, o que, caso se confirme, agrava significativamente a gravidade do caso e levanta novas exigências legais e criminais quanto à investigação da sua morte.

Até ao momento, a família vive num limbo institucional. Não existe causa oficial da morte, não se sabe quem autorizou o enterro, não se conhece o local exato onde o corpo foi sepultado e nenhuma explicação formal foi prestada pelas autoridades competentes.

Segundo relatos atribuídos a funcionários da própria morgue, o enterro de Mónica teria ocorrido por ordem do Governo Municipal de Luanda, com base numa autorização que, alegadamente, lhes conferia esse direito. Esta informação, no entanto, nunca foi formalmente documentada ou apresentada à família.

O caso levanta sérias dúvidas e profunda indignação. É incompreensível e inaceitável que uma pessoa que deu entrada numa morgue no dia 19 de dezembro seja enterrada no dia 22, sem identificação familiar, sem notificação oficial e num prazo tão curto — sobretudo quando se trata de uma morte potencialmente violenta.

Até à presente data, a família de Mónica afirma que:

Não recebeu qualquer comunicação oficial do hospital ou das autoridades;

Não conhece a causa oficial da morte;

Não sabe quem autorizou formalmente o enterro;

Não sabe onde se encontra o corpo da falecida.

Diante deste cenário, a família exige esclarecimentos urgentes, a identificação do local onde o corpo foi enterrado, a entrega da documentação oficial do óbito e a abertura de uma investigação séria, transparente e imparcial, capaz de apurar responsabilidades e repor a verdade.

O caso Mónica expõe, mais uma vez, fragilidades profundas no sistema de investigação criminal, comunicação institucional e respeito pelos direitos das famílias em Angola. Enquanto o silêncio prevalecer, a dor aumenta — e a justiça continua ausente.

Fonte: Rádio Cassimiro

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