Kilamba é a banda da “Liamba”

A Centralidade do Kilamba já foi uma das zonas mais verdes entre as áreas urbanas da cidade capital, Luanda. Mesmo assim, naquela época, a chamada “Erva Sagrada” ainda não pairava por aqui.

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Hoje, porém, parece que “Kilamba é a Banda da Liamba”. Praticamente qualquer artéria da Centralidade do Kilamba, é possível sentir o cheiro da “liamba”.

A liamba é um estupefaciente natural obtido a partir da planta Cannabis sativa, também conhecida noutras regiões como canábis, maconha ou marijuana. Na Centralidade do Kilamba, tornou-se comum ver adolescentes, jovens e adultos, homens e mulheres, a fazerem uso da substância nas áreas sociais dos quarteirões e até nas vias públicas.

Será que isto já é normal no Kilamba?

Em Angola, o tráfico, a posse e o consumo ilícito de estupefacientes e substâncias psicotrópicas constituem crime. A Lei n.º 3/99 — Lei sobre o Tráfico e Consumo de Estupefacientes, Substâncias Psicotrópicas e Precursores, estabelece o quadro legal que regula e pune as actividades ilícitas relacionadas com drogas no país.

Diz a história que a nossa liamba de Malanje é uma das mais fortes. Não sei se será também a mais consumida aqui no Kilamba. Mas, se for, vale lembrar que o consumo de substâncias psicoactivas pode afectar o sistema nervoso e provocar alterações no comportamento, além de poder, gerar dependência.

E este tem sido, na minha opinião, um dos factores que contribuem para determinados desvios de comportamento e para situações que acabam por afrontar a ética, o civismo e as regras de convivência numa comunidade. Hoje, há muitos grupos de delinquentes no Kilamba, que o uso desta substância é normal.

A liamba já não se esconde

Nas imediações da Feira do Kilamba, entre os quarteirões F, C e L, sobretudo às sextas-feiras, o cheiro da liamba começa a ser sentido a cerca de 100 metros antes de se chegar à zona de lazer, onde estão localizados bares e restaurantes.

O acesso ao produto, segundo o que se observa no local, parece ser rápido e fácil. Há vários fornecedores e, aparentemente, já não existe o mesmo cuidado em esconder o seu comércio. Fumam nos parques de estacionamento, atrás dos bares e, por vezes, até dentro dos próprios estabelecimentos.

Quem vende, fornece e distribui a liamba no Kilamba?

Esta é uma pergunta que merece uma resposta das autoridades. O Kilamba foi concebido para ser uma centralidade tranquila, organizada e agradável para viver. Mas as diversas situações de desorganização, a falta de fiscalização e a ausência de responsabilização perante determinadas transgressões estão a mudar a vida nesta comunidade.

O problema não é apenas a presença da liamba. É também a aparente normalização do seu consumo em espaços públicos, diante de jovens, crianças e famílias. Por isso, fica o alerta à Administração Municipal do Kilamba: há muitas transgressões administrativas e situações que precisam de maior fiscalização. Kilamba não pode deixar de ser uma banda tranquila para se transformar numa “banda da liamba”.

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