Pontos críticos “engolem” viaturas em Luanda

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Trânsito caótico, buracos nas vias, asfalto envelhecido, carros danificados. É debaixo desse cenário, que milhares de automobilistas enfrentam, diariamente, a pressão e o estresse de conduzir em estradas críticas da província de Luanda.

Circular por essas vias, em hora de ponta, constitui um bico-de-obra para motoristas e peões, que dividem o mesmo espaço, com manobras perigosas e travessia desordenada.

Em alguns locais, a falta de sinalização e de semáforos leva ao aumento de acidentes de viação, numa cidade que já foi tranquila em termos de mobilidade rodoviária.

Fundada em 1576, Luanda chegou a figurar, na década de 1970, entre as mais belas cidades de África, com infra-estruturas e estradas funcionais e duradouras.

Projectada para aproximadamente 500 mil habitantes, cresceu de forma rápida e, em muitos casos desordenada, impactando negativamente na qualidade de vida dos munícipes.

Hoje, Luanda é uma cidade em progresso, com edifícios e estabelecimentos comerciais modernos, mas saturada e com um problema de fundo: a falta de mobilidade no trânsito.

A dificuldade é transversal em quase todos os municípios, distritos, comunas e bairros.

A falta de mobilidade rodoviária é uma realidade nas estradas principais, secundárias e terciárias, muitas delas com buracos resistentes que “engolem” viaturas há já várias décadas. São os chamados pontos críticos, que em tempo chuvoso deixam a cidade num “caos”.

A capital do país tem hoje pelo menos dez pontos críticos, que condicionam a circulação automóvel e exigem investimento rápido para desafogar o trânsito.

No interior dos bairros, quase não há vias em condições para servir de alternativa aos motoristas. A má qualidade das estradas constitui um fardo pesado para o Estado, que reforça o investimento na construção de pedonais, viadutos e até na asfaltagem das vias.

Pelos nove municípios, são visíveis os sinais de obras nas estradas, que vão desde pequenos serviços terraplanagem a trabalhos profundos de reposição de tapete asfáltico.

Entretanto, muitas estradas recuperadas são impotentes para resistir ao tempo. Nalguns casos, a recuperação é tão efémera, que em menos de cinco anos tudo “desmorona”.

Circulação arrojada

A Angop esteve em alguns dos principais pontos críticos de Luanda, para procurar entender como essas vias se tornaram tão difíceis, o que já foi feito para que a mobilidade melhore e como essa realidade impacta na vida dos munícipes?

Tudo começa no município de Cacuaco, uma das localidades que mais cresce em termos de densidade populacional, a par do município de Viana.

Como em outros pontos da capital do país, circular por Cacuaco não é tarefa fácil. Em muitas vias principais, o trânsito é “afogado”, com (raras) excepções ao domingo. São vias esburacadas, sem pedonais e com cruzamentos que exigem intervenção.

Essa realidade compromete o dia-a-dia dos trabalhadores, que chegam a atrasar ou faltar ao serviço, principalmente nos períodos de ponta.

Em Cacuaco há mais de três pontos críticos que condicionam a mobilidade do trânsito.

Na via 4 de Fevereiro, que sai do Bairro do Kikolo até ao São Paulo, a circulação fica longe de ser tranquila. Em dias de chuva, o trânsito chega a tornar-se quase “travado”.

“Todos os dias está engarrafado e chegamos muito tarde ao serviço. Normalmente, no mês, podemos ter uma, duas a três faltas”, lamenta o munícipe Ramos Kiboco.

No troço adjacente ao Mercado do Kikolo, o cenário é idêntico. Movidos por motivações comerciais, os vendedores apossam-se da estrada, enquanto camiões e turismos disputam, palmo-a-palmo, o mesmo espaço com os peões.

Para desafogar o trânsito e facilitar a circulação na 4 de Fevereiro, duas vias podiam servir de alternativas. Porém, estão em péssimas condições técnicas.

A primeira (Rua da Kianda) tem asfalto, encontra-se esburacada, com armazéns próximos da berma, falta de espaços para estacionamento de camiões e veículos ligeiros. Já a segunda (Rua do Kussanguluka) está igualmente sem asfalto e bastante esburacada.

“É muito difícil andar por essa via. Os buracos são tomados por água”, refere a moradora Presilha Mbasi, da Rua do Kussanguluka, que sublinha a situação de caos.

Outra via que condiciona o trânsito em Cacuaco é a estrada principal do Bairro dos Pescadores. Quando chove, fica alagada, “trava” a circulação e inunda as residências.

“Temos tido prejuízos dentro de casa. Perdemos os meios, dormimos em cima das mesas. Quando vamos ao trabalho, temos de andar de chinelos, amarrar sacos nas pernas e levar um bidon de água. Você vai à administração só diz ‘tomámos nota’”, desabafa Daniel Manuel.

Munícipes exigem melhorias

Em face do cenário, a munícipe Isabel Dangui pede ao Governo Provincial de Luanda e à Administração de Cacuaco para darem atenção às ruas do Bairro dos Pescadores.

Ainda em Cacuaco, o Bairro da Ecocampo (oficialmente Bairro 4 de Fevereiro) inspira cuidados. Ali, a circulação é “turbulenta” e feita entre dezenas de buracos.

Como em outros locais, regista desgaste acentuado no asfalto, originando andamento lento das viaturas que saem da via expressa e entram para o interior da urbe.

A situação já vem de largos anos, segundo o automobilista Nelson Aquino, que lamenta as perdas materiais e danos nas viaturas, originadas pela falta de manutenção da estrada.

“Há muitos anos esta via está em péssimas condições. Desde que vim viver na Ecocampo, em 2010, as viaturas danificam. Quando chove é um pandemónio aqui. É preciso ter coragem. A solução passa pela maior actuação da administração”, sugere.

Os moradores apontam o dedo à Administração Municipal e reclamam do facto de as suas solicitações não estarem a ser bem acolhidas pelas autoridades locais.

O ancião Artur Canito lembra que, quando saiu do Uíge, município de Sanza Pombo, para Luanda, em 1989, a Ecocampo tinha bom asfalto e andava-se à vontade.

“Havia esgoto e depois entupiu com o tempo. Outro dia passei pelos serviços comunitários e informei sobre este buraco que está em frente à minha casa. Registaram o meu nome e disseram que iam resolver. Mas até agora nada”, desabafa.

A administração municipal diz conhecer os problemas relatados pelos munícipes, mas aponta razões financeiras para justificar o mau estado técnico de algumas vias.

Salomão Jacob, director municipal dos transportes, tráfego e mobilidade, explica que têm feito manutenção das vias apenas quando há disponibilidade financeira.

Ainda assim, os munícipes dizem que quase não sentem os reflexos desse trabalho.

Para tranquilizar as comunidades, o responsável informa que estão em curso obras de reparação na via principal do Bairro do Kikolo (que vai do Bairro Ngola Kiluanji e passa rente ao mercado do Kikolo), para tornar mais fácil a circulação.

As obras estão a cargo do Governo Provincial de Luanda e visam ligar à estrada número 100. Uma vez terminadas, prevê-se melhorias na mobilidade.

Enquanto se espera pela solução, um outro problema tira o sono às autoridades.

Na via adjacente ao Mercado do Kikolo, camiões fazem descarga de bens para os armazéns, construídos muito próximo da berma, e condicionam a circulação.

Segundo Salomão Jacob, isso representa violação a uma disposição legal, na medida em que estes veículos estão proibidos de fazer carga e descarga em horas de ponta.

“A fiscalização e a Polícia Económica já estabeleceram uma hora para fazer a descarga e carregamento da mercadoria, para tornar fluída a mobilidade das viaturas”, aponta.

Informa que a maior parte das estradas de Cacuaco, em especial as terciárias, está inscrita no Programa do Governo Provincial de Luanda.

Caso haja verbas, informa, devem ser intervencionadas já a partir de 2018.

Viana busca soluções

O município de Viana também já sofreu com situações de trânsito congestionado.

Atravessar a circunscrição, por via da Avenida Deolinda Rodrigues, chegava a levar horas, em engarrafamentos infernais e quilométricos.

A construção de pedonais e do Viaduto da Unidade Operativa (inaugurado em 2017) desafogaram o trânsito e facilitaram a vida de motoristas e peões. Todavia, há ainda pequenos troços críticos.

É o caso do troço Estalagem/Bar, onde se torna complicado o trânsito no período das 07 às 9h30 e das 17:00 às 18:00 (no sentido Viana – Luanda e Luanda – Viana).

Outros pontos de estrangulamento do trânsito são a passadeira da Rua dos Fiéis (Robaldina) e as paragens de táxi próximas das pedonais do Bar e da Bela Vista.

Por ali, circulam, diariamente, centenas de peões, retardando a passagem de viaturas.

De igual modo, há constrangimentos na saída da Avenida Deolinda Rodrigues para a Avenida Pedro de Castro Van-Dunen Loy, onde se regista lentidão no trânsito, por causa de buracos crónicos que “nascem” no desvio do supermercado Shoprite.

Em hora de ponta, o engarrafamento chega até aos arredores do Hospital Sanatório.

Ainda na Deolinda Rodrigues (sentido Viana – Luanda), outro ponto crítico aumenta o estresse de automobilistas. Trata-se do desvio na zona adjacente à FILDA, que dá entrada ao município do Cazenga. Ali, o trânsito é lento e às vezes desordenado.

Em horas de ponta, chegam a existir mais de quatro faixas de rodagem, comprometendo a passagem de quem queira chegar até ao 1º de Maio.

Em Viana, as vias secundárias e terciárias estão em péssimo estado técnico, quase que na totalidade.

As estradas asfaltadas que poderiam ser alternativa, como a do Kimbangu (liga aquele município ao Kilamba Kiaxi), têm o asfalto em mau estado.

A via do Kimbangu é uma importante alternativa para os munícipes de Viana, pois permite a chegada rápida dos moradores do condomínio Girassol, condomínio da Polícia Nacional e do bairro Calemba II ao centro da cidade, passando pela Avenida Deolinda Rodrigues.

A mesma já passou por várias intervenções. Porém, o cíclico problema das crateras persiste.

Naquela estrada, que liga do Kimbangu até a Comarca de Viana, os carros andam aos “pulos”. Só as viaturas com tracção circulam sem grandes riscos de danificar, em tempo de chuva.

Os utilizadores da via afirmam que a mesma foi “mal construída” e apontam a falta de esgoto como uma das principais causas da pouca durabilidade do asfalto.

“A estrada foi improvisada e como consequência os veículos estão sempre a estragar, desde os pneus, terminas até aos sino-blocos”, afirmam o taxista Emanuel Bento, e o cidadão Baptista dos Santos, morador da zona desde 1992.

A estrada da Suave também consta das alternativas eleitas pelas autoridades de Viana. Porém, a inexistência de esgotos fez com que a estrada se deteriorasse. Os buracos dificultam a marcha normal dos veículos e em tempo de chuva fica inoperante.

“Quando está alagada, os automobilistas têm de procurar outros caminhos para chegar a casa ou ao serviço. A população reclama, a administração passa por aqui e nada”, lamenta o usuário António Lino.

O cidadão Dala Custódia, que vive há quase 40 anos nesta zona, recorda que a via já esteve toda asfaltada, no ano de 2004, mas o trabalho não foi consistente.

“Houve má concepção da estrada e parece que tinha sido projectada para carros de pequeno porte. Quando começou a circulação de carros de grande porte, a estrada começou a degradar-se”, narra.

O problema, conta, já foi apresentado aos vários administradores de Viana, daí solicitar ao actual gestor da circunscrição para velar pela estrada da Suave, a fim de melhorar a ligação com a estrada de Catete e do Calemba II.

A Administração de Viana reconhece o mau estado técnico das vias e confirma os constrangimentos provocados, ciclicamente, aos automobilistas e moradores.

O director municipal dos Serviços Comunitários e Espaços Verdes de Viana, Esmeraldino Paulo, diz haver muitas vias estratégicas em condições difíceis, entre as quais a da Comarca, Kimbangu, Brasileira, Inter-transportes e Beto Carneiro.

“São ruas já catalogadas para, quando houver possibilidade, sofrer obras de melhoria”, indica, admitindo ter havido, em algumas vias, falhas nas manutenções feitas.

Em algumas ruas, como da Suave e do Kimbangu, faz saber que haverá intervenção profunda, para evitar que as águas se concentrem na estrada e voltem a danificar o asfalto.

“Os grandes inconvenientes dessas vias têm a ver com a falta das redes e outras infra-estruturas para o escoamento das águas. É preciso fazer-se um projecto de fundo e ver até que ponto essas águas podem ser encaminhadas para outro ponto, para que essas obras possam durar”, aponta.

Assegura que os projectos gizados e enviados ao Governo Provincial de Luanda, para a recuperação das vias, trarão melhorias substanciais na circulação de pessoas e bens, desafogando o trânsito da estrada Deolinda Rodrigues e da estrada do Calemba II.

“Sempre que há possibilidade, temos feito intervenções pontuais, para minimizar as dificuldades vividas nos pontos difíceis das vias. Não faz qualquer sentido a administração não se preocupar com as vias, porque nós também fazemos uso delas”, returque.

Caos no Cazenga

O município do Cazenga não está livre da falta de mobilidade rodoviária.

Esse problema provém de várias décadas, uma vez que o crescimento demográfico não foi acompanhado da estruturação de um plano urbanístico.

O elevado grau de deterioração das vias secundárias e terciária tem aumentado os constrangimentos. Buracos, charcos de água, lixo e poeira fazem parte do dia-a-dia dos motoristas e transeuntes das vias.

O município enfrenta problemas sérios com o engarrafamento, que obriga os moradores a perder várias horas nas ruas para chegar ao serviço e regressar a casa.

O mau estado das vias cria transtornos aos condutores e acelera o desgaste das viaturas.

Uma das vias críticas da circunscrição é a 5ª Avenida (Via do Asa Branca), que está em péssimas condições (esburacada), sobretudo no troço até ao Centro Profissional.

Segundo o munícipe Jesus da Silva, a circulação na via da 5ª Avenida, no passado, era fluída e não havia os constrangimentos agora existentes.

“Saindo do Patrício, passando pelo Asa Branca até à BCA, o acesso era feito sem problema. Actualmente, já não se consegue realizar o trajecto na normalidade”, lamenta.

A Angop constatou na zona trabalhos em curso de terraplenagem, para minimizar o problema. Mas os munícipes receiam que o retorno da chuva volte a deteriorar a via.

A dificuldade de circular pela 5ª Avenida, sobretudo no período chuvoso, é notável. A via, a partir da zona da TCUL, não oferece condições para circular. Há muito, o asfalto deixou de existir.

Juliana Paulo, moradora da 5ª Avenida, refere que a situação é desagradável, uma vez que a via ficou muito tempo sem ser transitável, reforçando o apelo para colocação de tapete asfáltico duradouro.

Já na rua do Comércio está reabilitada apenas uma parte da via. A intervenção feita deixou de fora a área que liga à estrada do Patrício. A decisão deixa os munícipes insatisfeitos.

José Luís Cussauca, morador da zona, explica que os munícipes da Rua do Comercio (desemboca na estrada do Patrício) enfrentam muita dificuldade para circular pelas estradas, e quando chove têm de colocar blocos para atravessar de um lado para outro.

“A situação é do conhecimento do administrador, uma vez que as obras paralisaram”, comenta.

O mesmo problema vivem os moradores ao longo da Rua das Condutas, que pode servir de alternativa para quem vem de Viana e queira chegar à 5ª Avenida do Cazenga.

Segundo o morador José Lino, a situação piorou desde que a rua foi escavada. Até ao momento, conta, vivem de promessas de aplicação de asfalto.

“Já esteve uma comissão liderada pelo administrador municipal, mas até ao momento nada está a ser feito. Caso for reabilitada, a Rua das Condutas pode ser de extrema importância, pois pode ligar o Cazenga ao município de Cacuaco e Viana”, aconselha.

Por este motivo, os moradores da zona pedem a reabilitação, asfaltagem e colocação do sistema de saneamento básico, como valas de drenagem de água da chuva naquela zona.

Contactado pela Angop, o administrador adjunto para área técnica do município, Eduardo Gomes, reconheceu que a questão da mobilidade na circunscrição é crítica, tendo em conta o estado das vias.

A autoridade confirma que os maiores problemas de fundo no Cazenga, em termos de vias estruturantes, registam-se na 5ª Avenida, 7ª Avenida e Avenida Hoji-ya-Henda, bem como nas ruas das Condutas e do Comércio, onde o trânsito é caótico.

O problema do mau estado técnico agudizou-se em 2014, altura em que paralisaram as obras de recuperação das vias, iniciadas em 2006/2007, pelo Ministério da Construção.

Na 7ª Avenida, os trabalhos foram apenas efectuadas do troço da intercessão com a Avenida Ngola Kiluanje até à Refinaria, na estrada de Cacuaco. Falta intervir no troço da Avenida Ngola Kiluanje até a Avenida Deolinda Rodrigues.

Segundo Eduardo Gomes, os trabalhos na 5ª Avenida abrangeram apenas o troço que sai da Avenida Ngola Kiluanje até a TCUL. Falta chegar à zona da BCA, para ligar à Deolinda Rodrigues.

“A obra é da responsabilidade do Ministério da Construção. Esperamos por uma resposta do ministério quanto a preocupação colocada sobre o estado das vias”, vinca.

“Embora algumas vias estruturantes estejam sob alçada do Ministério da Construção, algumas secundárias e terciárias já sofreram a execução de algumas obras, em 2010, como a via da Fiaco, Patrício e uma parte do troço da Rua do Comércio”.

A melhoria do tráfego rodoviário no Cazenga, segundo aquela autoridade, passa pelo acabamento dos trabalhos na 5ª Avenida, Avenida Ngola Kiluange (com o alargamento da estrada na zona da CIPAL e o fim do mercado ambulante no Hoji-ya-Henda).

Outra medida, refere, seria o reinício das obras na 7ª Avenida, no centro do município.

Para a rua das Condutas, o responsável diz existir um projecto com o Governo Provincial de Luanda, que passa pela asfaltagem da mesma em 2018. Devem ser asfaltadas também, as ruas do Porto Santo, da Sonef e da Terra-Vermelha.

Os projectos estão à mesa e os problemas de fundo identificados.

De vários cantos, soa o grito de socorro e multiplicaram-se os apelos de melhoria.

Os munícipes exigem a materialização desse propósito, para economizarem nos gastos com a reposição de peças nas viaturas, e diminuírem o estresse do engarrafamento.

As estradas “clamam” por intervenção. Mas em cenário de crise económica e financeira, uma pergunta fica no ar: por quanto tempo far-se-á ainda a circulação rodoviária por entre buracos, charcos e lagoas, nos pontos críticos de Luanda?

Fonte: Angop – (Por Adriano Chisselele e António Neto)

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