Chineses garantem que vivem felizes em Angola

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A comunidade chinesa residente em Angola diz-se satisfeita com afectividade dos angolanos, realçando o grau de amizade ou a culinária do país como factores de aproximação entre africanos e asiáticos.
Do comércio à restauração, passando pela construção civil ou saúde, estima-se que mais de 260.000 chineses trabalhem actualmente em Angola, uma das maiores comunidades estrangeiras no país, não sendo alheio o financiamento que a China tem vindo a atribuir à reconstrução angolana desde o fim da guerra civil.

Haiping Zhang é um dos muitos empresários chineses do ramo da restauração. Vive em Angola desde 2004 e diz que a adaptação foi fácil: “Vivo aqui em Angola já há muito tempo, tenho boas relações com os angolanos, tenho muitos amigos até na polícia. Gosto do funje, do feijão, peixe grelhado. Pratos típicos de Angola que eu muito aprecio”, conta à Lusa.

Apesar da crise económica, financeira e cambial que Angola vive desde finais de 2014, o empresário chinês acredita na melhoria do ambiente de negócios: “Angola está a subir muito, apesar de há dois anos estar a viver uma crise económica que afecta também o mundo, nós continuamos aqui à espera que essa fase passe, para a melhoria dos negócios para empregar mais angolanos”.

Dong Yun Huang, de 36 anos, possui vários investimentos na área de saúde estética, segurança e hotelaria, em Luanda. Apesar de algum “medo dos meliantes”, tendo em conta a insegurança na capital, aprecia o país que a acolheu há quatro anos.

“Eu gosto de Angola, aqui tem muitas coisas diferentes da China, aqui trabalhamos e conseguimos gerir o nosso dinheiro. Enquanto na China trabalhamos muito e gastamos o salário em compras”, explica.

“Nani”, como prefere ser tratada pelos angolanos, não está alheia à crise cambial que afecta o país e aponta a dificuldade no envio de remessas de divisas para o seu país como um dos maiores problemas actuais.

“Uma nota de 100 dólares era trocada no valor de 10.000 kwanzas, longe dos actuais 48.000 [no mercado informal, o único disponível]e temos muitas dificuldades de enviar dinheiro para o nosso país”, acrescenta.

No ramo da construção civil, Zhang Quan Guo, um engenheiro de obras de 46 anos, vive em Angola há 14 anos, praticamente desde o início da cooperação entre os dois países.

“É bom viver em Angola, eu trabalho nas obras e gosto de comer arroz, funje e o peixe de Angola”, garante. Contudo, lamenta, a propósito da crise: “Angola não tem dólar para pagar os trabalhadores chineses”.

A China consolidou-se como um dos principais investidores do mercado angolano depois do fim da guerra civil no país africano, em 2002, impondo-se a investidores tradicionais como Portugal, o Brasil, a França e os Estados Unidos.

O valor dos empréstimos e das linhas de créditos concedidos pela China a Angola desde 2004 ascendem a 15 mil milhões de dólares (14,3 mil milhões de euros), tal como revelou o Governo angolano em novembro, no fórum de investimento Angola – China, que juntou 450 empresários chineses em Angola.

Lusa

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