“Pare! Pare, Donald Trump!”

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“Pare! Pare, Donald Trump!”, disse Nicolás Maduro em entrevista. “Vamos respeitar-nos ou será que vai repetir um Vietname na América Latina?” Aos dirigentes europeus deixou o recado: “Não aceitamos ultimatos de ninguém. É como se eu dissesse à UE: ‘Dou-vos sete dias para reconhecerem a República da Catalunha e, se não o fizerem, tomaremos medidas’”

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não descarta a possibilidade de uma guerra civil, prevenindo o seu homólogo dos EUA, Donald Trump, de que deixará a sua presidência “manchada de sangue” se intervier no país. As declarações foram feitas numa entrevista ao programa “Salvados” do canal de televisão espanhol La Sexta, emitida este domingo, o dia em que terminou o prazo dado pela União Europeia (UE) para Maduro convocar eleições antecipadas.

“Hoje, ninguém pode responder a essa pergunta com certeza”, disse, quando questionado sobre uma possível guerra civil. “Tudo depende do nível de loucura e agressividade do império do norte e dos seus aliados ocidentais. Pedimos que ninguém intervenha nos nossos assuntos internos e preparamo-nos para defender o nosso país”, acrescentou.

Reagindo à afirmação de Trump de que o uso da força militar na Venezuela continua a ser “uma opção”, Maduro deixou o aviso: “Pare! Pare, Donald Trump! Está a cometer erros que vão manchar as suas mãos de sangue e vai deixar a presidência manchada de sangue. Vamos respeitar-nos ou será que vai repetir um Vietname na América Latina?”.

“Não aceitamos ultimatos de ninguém”
No domingo, terminou o prazo definido pela UE para que Maduro convocasse eleições antecipadas. Caso não o fizesse, os países europeus disseram que reconheceriam Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional que se autoproclamou Presidente interino da Venezuela. “Não aceitamos ultimatos de ninguém. É como se eu dissesse à UE: ‘Dou-vos sete dias para reconhecerem a República da Catalunha e, se não o fizerem, tomaremos medidas’. Não, a política internacional não se pode basear em ultimatos. Essa foi a era dos impérios e das colónias”, afirmou Maduro na entrevista.

Guaidó disse entretanto que pretende criar uma coligação internacional para conseguir ajuda para a Venezuela. No sábado, o conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, confirmou que, “em resposta ao apelo do Presidente Guaidó, os EUA estão a mobilizar e a transportar ajuda humanitária para o povo da Venezuela”.

Maduro rejeitou deixar entrar ajuda no país, dizendo a apoiantes: “nunca fomos nem somos um país de mendigos”. As ruas da capital da Venezuela, Caracas, encheram-se no sábado de milhares de pessoas em manifestações de apoio a Maduro e a Guaidó. Nos últimos anos, a hiperinflação e a escassez de bens essenciais levaram ao êxodo de milhões de venezuelanos.

90% das Forças Armadas “não estão com o ditador”
Os militares continuam ao lado de Maduro, apesar de algumas deserções. No sábado, o general da divisão da aviação venezuelana Franscisco Yánez tornou-se o mais graduado militar no ativo a desafiar Maduro e a reconhecer Guaidó como Presidente. Yánez garantiu que 90% das Forças Armadas “não estão com o ditador”, referindo-se a Maduro, mas “com o povo”.

Guaidó já reconheceu ter mantido reuniões privadas com militares para conseguir apoio para derrubar Maduro.

No mês passado, Maduro tomou posse para um segundo mandato presidencial na sequência de eleições muito contestadas. Muitos líderes da oposição não as disputaram por estarem presos ou boicotaram-nas em protesto.

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