Sou de 1900 e 80 e tal cambalhotas

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“CACOS” DA MINHA RESENHA SEMANAL
Ontem por ocasião da celebração das minhas 7 chagas matrimoniais com a minha, obviamente, benévola esposa, cedo ergui minhas estruturas ósseas e decidi ir a igreja agradecer pelo facto, pela saúde e pelo momento inédito que o nosso país agora vai viver. Por coincidência do calendário religioso a primeira leitura foi extraída do livro de Isaías (mas não o Samakuva, claro).
Nos últimos dias temos vivido manifestações e declarações partidárias por tudo quanto é canto, estando a ser categorizado como “inimigo de Deus” o silêncio de quem não faz perante o óbvio de uma maioria que possui razões bastantes claras para fazerem-no.
“Deixa de ser burro e alinha-te. Vais morrer pobre por causa da tua teimosia”. Assim me foi dito por um vidrado e alienado amigo-companheiro. Parece-me que cá na terra, ter opinião diferente no meio de alguns homens não é ser mamífero. Isto suplicia minhàlma.
Na célebre transição do milênio 1999 para 2000 no então apregoado “fim do mundo” feito por testemunhas de Jeová, meu pai disse-me assim: “Todos morreremos neste milênio”. Rapidamente minha emoção anoiteceu. Não via lógica no discurso de lugubridade em plena noite de festa e transição. Mais tarde percebi que há verdades que por mais que tomemos analgésicos auditivos vão doer sempre.
O que para muitos era um capítulo da lenda do Robin dos Bosques, pra mim e tantos outros será uma realidade. Estamos prestes a assistir o “abandonar” dos palcos de um dos actores políticos mais sonantes do filme “Angola e seus famigerados caprichos”: José Eduardo dos Santos. Há quem diga que vai passar de actor para realizador.
Quer queiramos quer não, ele foi presidente de Angola e não podemos apenas espelhar seus alguns malfeitos porque nossos estômagos não foram agraciados suficientemente pelos mantimentos e iguarias segundo nossos privados interesses.
Dizer que não há bens que justifiquem os males estaríamos a ser maldosos. Muita coisa boa também foi feita. E não foi só por ele. Foi graças aos seus colaboradores, servidores e o povo angolano e amantes do bem estar e da tranquilidade. Provavelmente a maior fatia do pão de 42 kzs ficou mais para o lado de lá do que para o lado de cá.
Hoje é sua última segunda-feira no poder. Eu nasci em 1900 e 80 e tal cambalhotas e terei o prazer assaz maravilhoso de reter no meu ainda imberbe encéfalo o tão inolvidável momento de poder ver também este processo de troca de presidentes.
Quem será o próximo? Será que vai aguentar 5 anos com as promessas feitas em campanha? 38 anos ficou no poder o que se vai, numa Angola cheia de “invejosos” “feiticeiros”, ricos e milionários mas também “pobres e miseráveis”.
O povo agradece a sua magnífica decisão, embora muitos a intitulam como “tardia” de abandonar o poder político em vida e fazer a transição pacífica. Viva um pouco da vida que merece como um ser humano normal, kota. A vida aqui fora também kuya.
Há uma Angola para além das nossas ambições declaradas em cartório e apresentadas em horário nacional:
– Quando Angola joga e ganha pelo resultado mínimo de uma UNITA a 0;
– quando a palavra Fé tem o mesmo número de letras que o APN no boletim de voto;
– quando nos apercebemos que a palavra ANGOLA tem assimetrias com a CASA CE e que a palavra VIDA é igual a MPLA ambos em boletim de voto… Quando percebermos isto estaremos a ser angolanos homogêneos.
Há um povo que sofre por decisões mal tidas e um povo que se regozija nas tristezas de outrem.
Dois dias nos separam de uma história por muitos esperadas mas que por poucos será assistida. Dois dias ainda têm os candidatos das promessas para preparar os seus adjuntos para fazerem o que prometeram; dois dias tens tu, angolano, para decidir o futuro do teu país sem egocentrismos.
Resta-me agradecer, porque estaria a ser mal agradecido, pelos bons feitos que eu vivi na era do camarada presidente dos Santos e que o próximo presidente seja mais do país e menos partidário porque para dividir este povo já basta a religião e o desporto. Precisamos de pensar mais Angola e menos os partidos.
EU SOU ANGOLANO.
Edson Nuno a.k.a Edy Lobo
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