Servir pelo pão ou pela oportunidade?!

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Ansiedade e emoção aos fervilhos…
Assim encontrava-me a cada minuto que passasse enquanto chegava a hora de embarcar para onde deveria minh’alma artística ter nascido: Portugal!

Embarcado mas não embargado, fui colocado no lugar errado! Triste fiquei.

É que aquando do check-in, pedi a uma simpática moça mas pelos vistos inexperiente, porquê estava a ser coadjuvada por uma outra não menos bela, para que colocasse-me num assento confortável dada a extensão das minhas muletas naturais, entenda-se, minhas longas pernas.

Chego no transporte aéreo e “nepias”. Minha aflição começava. Não me via durante 7 horas e olha lá, com as meninas encolhidas caso quisesse “babar” durante o voo.

Enquanto o voo foi se preenchendo, fui controlando o lugar desejado. De modos a garantir o mesmo, fui ter com um dos assistentes de bordo em serviço para ocupar caso ninguém ocupasse. Qual o meu espanto?

” Temos informações que o voo estará completamente cheio”.

Tal resposta foi dada com tamanha arrogância que tive de olhar com detalhes para o jovem e puxar pela memória se o conhecia de lado algum e que ele provavelmente tenha guardado algum rancor por uma razão que me escorregava da memória. Nada,sequer em flash, surgia! Fiquei sem perceber.

Estava um outro, que por sinal mais responsável, e fui lá ter e o abordei da mesma forma, com a educação que me caracteriza e fui muito bem compreendido.

Uma questão levantou-se na minha torga: Os assistentes de bordo à bordo de qualquer companhia aérea, trabalham pelo pão ou pela oportunidade? Eles trabalham, acredito, para servir o passageiro garantido o mínimo de conforto e estabilidade durante o voo.

Parece-me que pela nossa companhia de bandeira, alguns investem-se de alguma vergonha pela profissão por causa do trabalho que fazem: servir durante o voo, que ao bom da verdade e de maneira mais comum e cruel seriam mesmo chamados de “empregados dos passageiros”. Mas não é ético dizer isso. Há passageiros, claro, que tiram do sério os mesmos mas para esse tipo de trabalho, a paciência tem de ser nome do meio.

Sabe-se que nesta altura eles (assistentes de bordo) são dos poucos funcionários públicos que ainda veem divisas a quando das estadas noutras bandas. Acredito que muitos deveriam ter um pouco mais de humildade, profissionalismo e ética deontológica porque cada profissão possui o seu ônus, infelizmente.

Provavelmente muitos ali foram parar por falta de emprego, outros pelo amiguismo e nepotismo e outros ainda porque adoram trabalhar viajando.

Seja lá qual for o motivo de cada um, acho que, aqueles que atendem com pouca paciência, deveriam antes de mais pensarem que o passageiro não é o culpado por ele estar ali a servir.

Se já está ali a trabalhar, a servir mesmo, então que o faça pelo pão e pela oportunidade. Surgem novos tempos. Se a falta de profissionalismo continuar a prevalecer nos seus actos, podem crer que sem o pão poderão ficar.

Edson Nuno a.k.a Edy Lobo

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