Que boa notícia, Pai Natal!

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2016, o pior dos últimos 23 anos em termos de crescimento económico, de acordo com o balanço que fazemos nesta edição, termina com uma notícia fantástica. Angola deixou o topo do ranking mundial da mortalidade infantil.

De acordo com o Inquérito ao Bem-estar das Populações, em 2008/2009, morriam 115 bebés angolanos por cada mil antes de atingirem um ano de idade. Só na Serra Leoa era pior com 120 óbitos. Para vergonha de todos nós, nas últimas estimativas publicadas no site da UNICEF, acrónimo inglês do Fundo das Nações Unidas para a Infância, relativas a 2015, Angola passou para o primeiro lugar, com 96 óbitos, à frente da República Centro Africana, com 92, e da Serra Leoa, com 87.

Felizmente, este cenário parece que não se confirma. Na semana passada o ministro da Saúde, Luís Sambo, anunciou a boa nova: A mortalidade infantil em Angola baixou para 44 por mil, o que nos coloca em 35º lugar no ranking mundial de 2015. Não é nada de extraordinário, quando comparado com Portugal, 3 óbitos por mil, e até Cabo Verde, 21 por mil, mas não deixa de ser a notícia do ano ou mesmo dos últimos anos.

O governante citava dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) entre Outubro de 2015 e Março de 2016, que terão sido apresentados ontem, quinta-feira. Digo terão porque escrevi estas linhas quarta-feira.

Uma descida notável que surpreendeu tudo e todos, não só pela sua magnitude, mas também porque os últimos indicadores relativos a factores que influenciam a mortalidade infantil não melhoraram, como é o caso, por exemplo, do acesso das famílias a água e a saneamento adequados.

Houve mesmo quem questionasse os dados antecipados pelo Governo, preferindo aguardar pelas explicações do INE. Por imperativos de fecho desta edição, não pude esperar pelas explicações do INE mas falei com fontes de organizações internacionais, que tinham dois consultores a trabalhar no IIMS e que acompanharam tudo excepto os inquéritos no terreno. Segundo as minhas fontes o trabalho seguiu as metodologias recomendadas internacionalmente, mas os dados terão ainda de ser validados pela Inter-agency Group for Child Mortality Estimation (IGME), um organismo das Nações Unidas que supervisiona as estatísticas sobre a mortalidade infantil a nível mundial.

Ainda segundo as minhas fontes o IGME só se deverá pronunciar lá para Setembro de 2017, o que significa que o Governo vai usar e abusar destes números durante a campanha eleitoral. Pela minha parte, Deus queira que os números estejam certos, ou que até sejam melhores do que os que foram revelados.

Fonte: Expansão

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