PROJECTOS PARA O BASQUETEBOL ANGOLANO

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OS TÉCNICOS – ANGONIZAÇÃO E PAGAMENTOS EM KWANZAS

Há três semanas, escrevi um artigo, no qual chamei a atenção para a valorização dos treinadores angolanos de basquetebol. Reitero o que disse. É de realçar que a experiência e o domínio do basquetebol que os técnicos angolanos têm são razões bastantes para que eles sejam os treinadores principais das equipas mais significativas do nosso campeonato nacional. A contratação de treinadores estrangeiros não tem sido vantajosa, nem do ponto de vista desportivo, moral e financeiro, a menos que, como disse no referido artigo, haja vantagens pecuniárias para os dirigentes que têm tomado decisões nesse sentido. Treinadores expatriados para o basquetebol angolano, não! Nem pensar!… Não há razões. Não há argumentos aceitáveis. No futebol, sim! As Palancas Negras, sim…
Em relação ao basquetebol, incontestavelmente, precisamos de mais organização, de mais empenho e de mais imaginação dos dirigentes dessa modalidade e do Executivo, nomeadamente, do Ministério da Juventude e Desportos, com o apoio da comunicação social, com tarefas relacionadas com investimentos em infra-estruturas e com grande divulgação (reportagens) à volta das partidas de basquetebol, respectivamente. A Federação Angolana de Basquetebol deve tomar a iniciativa em muitas acções.
DIVULGAÇÃO DO BASQUETEBOL ANGOLANO
A Federação Angolana de Basquetebol pode, por acordo com a Televisão Pública de Angola, produzir DVD das grandes partidas de basquetebol da Selecção Angolana, desde 1989. Os jogos mais significativos e as jogadas mais emocionantes da equipa de todos nós são vendáveis, quer em Angola, quer fora das suas fronteiras, mormente nos países do nosso continente.
Se a Televisão Públicas de Angola – TPA  tiver dificuldades em produzir esses DVD, então que se contrate a SuperSportpara o fazer. Com certeza, esses produtos serão uma mais-valia para a divulgação do basquetebol angolano. Por outro lado, haverá vantagens financeiras para a Federação, que passará a ter mais uma fonte autónoma de rendimento, resultante da venda dos mesmos. O que se diz dos da Federação, diz-se dos clubes. A nível dos clubes, há grandes êxitos nacionais e internacionais que podem ser aproveitados e divulgados em DVD. Os adeptos, familiares e amigos dos atletas, indubitavelmente, os comprarão. Portanto, haverá um grande mercado desses produtos. Por outro lado, os jovens adeptos, ao assistindo a esses DVD, imitarão as técnicas dos jogadores de que sejam fãs.
Há jogadas defensivas e de contra-ataques rápidos, que são espectaculares. Através dos DVD [dus dê.vê.’dê]* das grandes partidas de basquetebol, poderemos ver e rever os «smaches», «alley-oops» e tampões espectaculares.
Infelizmente, a Federação e os clubes não têm estratégias agressivas de marketing. Não tiram partido da imagem dos seus melhores atletas, pois não se vê cartazes e tsirts com as suas figuras. Tampouco há produção de material escolar com as figuras estampadas dos jogadores mais renomados, com existe noutros países, onde o basquetebol tem uma ingente expressividade. Esses artigos podem ser de produção local. As gráficas angolanas podem produzi-los. Basta que haja ideias e desejo de as materializar. O que digo é exequível. Não custa nada! Mãos à obra!
Quanto ao «merchadising», a aposta ainda é tímida. Muito tímida, mesmo. Contudo, fico contente quando vejo alguns adeptos vestidos com as camisolas dos seus clubes. Neste aspecto, o Petro Atlético de Luanda está melhor do que as demais equipas. Portanto, é o campeão do «merchandising» em Angola. Parabéns campeão!
HISTÓRIA DO BASQUETEBOL ANGOLANO
O percurso da nossa selecção, as performances individuais dos nossos jogadores e técnicos (incluo o professor Mário Palma – o único estrangeiro que deixou marcas positivas e indeléveis ao nosso basquetebol), são factos que devem ser registados por escrito e através de vídeos – DVD, o que, certamente, será um grande contributo para a História do nosso Basquetebol, que remonta as décadas 60 e 70, geradoras de bons atletas, alguns dos quais desconhecidos por praticantes e amantes dessa modalidade,  facto que é lamentável.
Efectivamente, há muitos agentes do basquetebol cujos nomes e intervenções devem ser registados com letras de ouro nos anais do basquetebol angolano. Efectivamente, há atletas que contribuíram para a História de Angola, pelo que deverão ser imortalizados. Foram autênticos guerreiros! Aplausos para eles! E mais aplausos! Fizeram com que alguns países de outros continentes conhecessem e respeitassem Angola do ponto de vista desportivo e fizeram com que a nossa bandeira fosse hasteada entre as bandeiras das grandes nações. Nomes como o de Jean Jacques da Conceição, José Carlos Guimarães, Gustavo da Conceição, Victor Carvalho, Manuel de Sousa Necas, Paulo Macedo, Ângelo Vitorianos, Herlânder Coimbra, Dadid Dias, Miguel Lutonda, Carlos de Almeida. Victor Muzadi, Leonel Paulo, Carlos Morais, Joaquim Gomes «Kikas», «Olimpío Cipriano, Eduardo Mingas e demais jogadores jamais poderão ser ignorados. Os seus feitos deverão ser registados e deverão ser eternizados, através de homenagens que se baseiem na indicação dos seus nomes para diferentes topónimos em Luanda e/ou em diferentes localidades de Angola. Isso é ou não exequível?! Claro que é!
Permitam que faça apenas conjecturas. As omissões referenciadas no § (parágrafo) acima resultam de falta de imaginação, desinteresse e/ou de ingratidão? Caso essas conjecturas sejam efecivamente as razões daquelas omissões, então será caso para dizer: «Que estúpida ingratidão! Que falta de consideração!».
Importa dizer que a História de um país é repartida em várias matérias, tais como História Política, história sobre a Indústria, a Arquitectura, o Direito, o Desporto (o Basquetebol, em particular). A história do Basquetebol angolano deverá servir de cadeira académicas nas escolas de educação física e nas universidades de motricidade. E se a história do basquetebol for bem contada, muitos dos grandes atletas (os campeões) serão referenciados. Por outro lado, se a história do basquetebol angolano for bem contada, registará o facto negativo de parte considerável dos grandes atletas não ter sido bem recompensada materialmente.  
MUSEU DO BASQUETEBOL ANGOLANO
Proponho ao Executivo a construção de um museu do basquetebol angolano.
Sabemos que estamos em crise financeira. Por conseguinte,  há aspectos que devem merecer a prioridade do Estado, nomeadamente, a saúde,  educação, energia, água, sectores produtivos e os transportes, com infra-estruturas rodoviárias [Rôdôviárias] de qualidade e durabilidades desejáveis. Contudo, o museu do basquetebol pode ser já idealizado. Podemos já idealizar o melhor local para a sua edificação, sendo que não deverá ser contruído à superfície. Nunca no subsolo, como foi o caso lamentável do Museu da Moeda, que alé disso, foi construído num espaço que deveria ser um lugar privilegiado para a construção de um parque de estacionamento, que seria mais útil para os trabalhadores das diferentes instituições daquela área e arredores. O mal já foi feito! Que não se repita.
Um eventual museu do Basquetebol, poderá servir para a dinamização do turismo, particularmente, do turismo desportivo. Não será difícil a obtenção do espólio desse museu, que se baseará nos artigos, diplomas e fotos cedidos pelos jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes. Além disso, os vídeos de jogos que serão exibidos continuamente, as esculturas de jogadores com mais destaque e à volta dos quais se reúnam consenso, também poderão servir de espólio.
Pensem em todas as propostas apresentadas. Materializem-nas para o bem do nosso basquetebol. Pensem nos ganhos desportivos e sociais para as gerações actuais e para as gerações vindouras. Que continuemos a ser a principal potência do basquetebol africano.
Despeço-me com um «smache» da vitória, a faltar dois segundos do fim da partida. Faço-o com «raiva» e “mpulungunza”.Bum! Até a próxima semana!
*dos DVD [dus dê.vê.’dê]. Dos DVD’s, não. Jamais escrevam dessa forma. As siglas não são usadas no plural. Leia «AMOR AO PRÓXIMO» – as siglas.
JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA – JOSECA MAKIESSE
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