Pensões sobre rodas num parque qualquer!

0

“A crise, tudo pode fazer menos exterminar-nos os prazeres hedónicos da carne”.

Tais expressões em momento algum foram pronunciadas por alguém mas parece ser a oração do livramento dos problemas, exercícios para o coração e o desanuviar de muitos os sobreviventes desta Angola, concretamente da nossa Luanda, especificamente na nossa dulcineia centralidade do Kilamba.

Há que se respeitar com todos os botões, bainhas e rigor a garra e coragem que os moradores das centralidades têm tido. Viver num hemisfério e trabalhar no outro é coisa para pessoas determinadas. Famílias há que já começaram a fazer o check-in para o voo de regresso aos bairros de origem e/ou a lugares mais comuns que ajudem a preservar no mínimo a saúde mental, porque físico algum suporta durante muito tempo o acordar de madrugada e chegar, muitas das vezes, no período nocturno a casa. Convenhamos que é por uma boa causa: a sustentabilidade familiar. Sacrifícios são aqui várias vezes chamados e feitos, mesmo sabendo que, o cordeiro, que aos poucos está a ser imolado, somos nós próprios.

E mesmo assim, no final do mês, contas e contas são feitas. Se chega para a comida não chega para aquela saída básica de final de semana com a família; se chega para o combustível do embriagado meio de transporte não chega para um encontro básico, e muitas vezes necessário, no bar com os amigos para aquela reunião de concertação para discutir o estado da nação. Mas é assim mesmo. Passamos o tempo todo a tapar buracos.

Mas dentro destas dificuldades todas, um aspecto cambalhota a minha atenção: É na necessidade que o homem evolui. No sofrimento procuramos meios de subsistência e muitas vezes apesar de difícil damo-nos muito bem. Ora vejamos:

Para muitos “The best” transformou-se no “Johnny andante” (seria um autêntico despautério chamar de o verdadeiro Johnny Walker); a kissangua aumentou o seu número de consumidores e os parques de estacionamento tornaram-se pensões sob rodas!!!

É exactamente isso. Temos assistido uma maré de prevaricações automóveis extranatural. O descomprimir do nervo “engarrafamental” tem tido a sua sessão de descarrego de forma voluptuosa nos diferentes parques de estacionamento da nossa centralidade.

“Amores” são feitos no interior delas (viaturas) como se de uma casa direccionada para o fim se tratasse. Não tem sobrado nas contas salarias, algum para tal fim em lugares apropriados. E as mixas já bazaram há muito tempo. Sendo assim, resta desforrar paixões ao breu, numa zona qualquer desde que tudo culmine no ápice da satisfação total dos contendores.

Não é uma prática nova. A ilha de Luanda, como já cantou o nosso prestigiado artista, kota Carlos Burity: “quando um dia quiseres amar, vai ao fundo da ilha… há lá jardins bonitos e pombais de amor…”

A ilha de Luanda fica muito distante das vontades destes “artistas da paixão” mas nunca dos seus prazeres. A crise pode causar vários problemas na vida de algumas pessoas, menos o

destruir ou diminuir a vontade de “amar”. Quem já teve problemas com agentes de ordem pública por estar a “amar” em lugares impróprios sabe muito bem do que me refiro. Agora se tais actos são feitos mesmo sob adultérios conscientes isto já não cabe a mim mas a cada pecador. Se somos responsabilizados pelos nossos prazeres da carne também o podemos ser pelos nossos crimes e/ou pecados.

“A saúde do coração em primeiro lugar” manifestou-se uma vez um amigo meu, “amar e dar amor não importa o local”.

Agora não sei se é caso para reclamar ou agradecer a crise. Como muitos diriam: “O país está a melhorar”.

Edson Nuno a.k.a Edy Lobo

Share.

Leave A Reply