Os bastidores dos Relações Públicas

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Muitos clientes questionam-nos qual é a melhor forma de comunicarem com jornalistas e como podem obter uma ‘boa imprensa’ para os seus produtos e serviços. Num mundo em que todos comunicam e cada empresa procura o seu palco para criar a sua reputação e aumentar a visibilidade, as hipóteses diminuem.

Mesmo no caso de empresas com baixa visibilidade pública, é comum haver um momento em que lhe surge uma oportunidade mediática, quando recebe um prémio ou um dos seus responsáveis é convidado para participar num evento público, por exemplo.

conhecidas do público, os jornalistas presentes, provavelmente, não sabem muito sobre a sua Quando dividimos o palco com outras entidades, a maioria das pessoas presta atenção a uma, duas, talvez quatro ou cinco não mais do que isso. E, a não ser que estejamos a representar empresas de grande visibilidade ou sejamos figuras já empresa, o que faz ou o como ela pode ajudá-lo a construir uma história que interesse aos seus leitores. Pouco importa se a sua empresa tem o melhor produto ou serviço entre a concorrência, ou se os índices de satisfação dos seus clientes são os mais elevados do mercado o que vai importar é a sua capacidade para chamar a atenção e ter conteúdo de interesse para partilhar com os media.

Um dos maiores erros que os empresários cometem é olhar para os jornalistas como um meio para atingir um fim, um canal para influenciar positivamente a visibilidade das suas empresas ou da sua marca. Também é comum queixarem-se das notícias que jornalistas escreveram anteriormente sobre si e que relataram os detalhes de forma injusta ou incorrecta. A exposição pública aumenta a probabilidade de aquilo que é dito não corresponder efectivamente à verdade e não nos agradar na totalidade, mas ao incentivar a sua relação com os jornalistas, os empresários e gestores que têm responsabilidades sobre uma marca aumentam a probabilidade de obter uma melhor cobertura dos seus eventos e das suas mensagens.

Do pedestal ao desprezo

Não devemos esquecer que os jornalistas são humanos. E, embora esta pareça uma afirmação óbvia, é surpreendente como os responsáveis das empresas frequentemente colocam os jornalistas num pedestal ou, ao contrário, desprezam o seu papel e minimizam a importância da sua actividade.

Eles são humanos e devemos conhecê-los e abordá-los como tal. Os relacionamentos que construímos com jornalistas, em festas e cocktails, onde por vezes nem falamos sobre a empresa, permitem que, num determinado momento, no futuro, possamos ser considerados como fonte de informação para uma ou outra história em que eles estejam a trabalhar.

Também vai ser mais fácil que confiem em nós quando quisermos passar informações e fornecer dados e factos. Por isso, o profissional deve estar sintonizado e manter-se a par do trabalho dos jornalistas, conhecer toda a rotina de uma redacção e, sobretudo, entender o que é que, no dia, pode ser notícia. Além disso, ele é o intermediário entre a organização e o público, levando informações esclarecedoras e de interesse público.
Temos de compreender as suas necessidades e, acima de tudo, entender os seus prazos.

Imagine que a sua empresa tem de entregar um produto diariamente, a fim de manter os níveis de produção que lhe permitem garantir os seu salário e dos seus colaboradores. Com os jornalistas não é diferente: eles têm prazos a cumprir e têm de entregar matérias a tempo e horas, para garantirem o fecho das suas edições os prazos podem ser diferentes, conforme se trate de uma revista mensal ou de um canal televisivo com notícias diárias (ou até de hora a hora), mas os prazos existem sempre ser cumpridos.

O off the record não existe

Há uma velha máxima que os profissionais de relações públicas conhecem e que sempre partilham com os seus clientes não existe off the record, uma gíria da profissão que significa “não digas que eu disse, ou, não publiques esta informação”. Mesmo num evento social, os jornalistas estão, muitas vezes, interessados em saber se há uma história que possam criar a partir de uma conversa. A mais-valia de um profissional da Imprensa, vulgo jornalista, é exactamente a curiosidade e a capacidade de colar peças soltas de um puzzle que vai assimilando durante a sua carreira. O hoje, para nós, é um contínuo para pelo que apenas deverá fornecer dados ou comentar aquilo que possa ser adequado publicar num determinado momento.

Quando o estão a entrevistar, não tenha medo de perguntar aos jornalistas qual o ‘ângulo’ da história e qual a melhor forma de os ajudar a criá-la. Cada artigo tem um ‘ângulo’ e, ao conhecê-lo, é mais fácil adequar as suas mensagens de forma a melhor servir as necessidades do jornalista. Certifique-se de que sabe qual o tempo que o jornalista previu para a entrevista e quais os prazos para fechar a sua edição no caso de querer enviar informação posteriormente.
Certifique-se também em saber quando é que ele planeia publicar a sua história, mas não estranhe se ocorrerem atrasos, que são frequentes, por razões de fecho das edições.

Acima de tudo, certifique-se de que está a ajudá-lo a melhor fazer o seu trabalho. Os profissionais de RP sabem que as relações com os jornalistas são um investimento a longo prazo, e é preciso estabelecer relações de confiança, mesmo quando não temos uma história para transmitir. Devemos estar disponíveis para ajudar em outras histórias em que eles estejam trabalhando e dispostos a prestar declarações no registo mais adequado (captação de som ou imagem, para televisão ou rádio; responder a perguntas por email ou presencialmente, o caso de imprensa ou meios online).

Se os jornalistas procuram acesso a outras pessoas na indústria em que a sua empresa opera, ajude a intermediar o contacto, caso esteja dentro das suas capacidades ambos as partes irão agradecer por isso. Se tiver uma boa ideia para uma história, deve enviar um email e propô-la. E se um jornalista solicitar uma entrevista, assegure-se de que consegue responder dentro dos prazos que ele precisa.

Aposte na criação de confiança

Desta forma, estará construindo um caminho de confiança que pode ser-lhe útil no futuro e,
quando chegar o momento de a sua empresa ter notícias para partilhar, as probabilidades de obter atenção aumenta se for útil aos jornalistas com regularidade, eles serão muito mais disponíveis para cobrir as actividades da sua empresa.

Se os assessores de imprensa não são os que mais amigos têm no jornalismo, são os que conseguem ver nos jornalistas profissionais capazes de um bom trabalho e sabem fornecer todo o material, de forma expedita, para que tal trabalho aconteça.

E não esqueça: para além de serem pessoas, os jornalistas são, de facto, pessoas muito interessantes, que gastam muito do seu tempo com pessoas ainda mais interessantes. O tempo que estiver com eles pode ser útil e agradável, e você pode ter hipóteses de conhecer histórias interessantes e aprender muito com eles.

Por: Helder Ganga

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