Obrando na Via

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Mas o que é isso afinal de contas? Já não há mais pudor, nem vergonha? Então agora obra-se em qualquer lugar? Viro aqui, estão a obrar, viro pra ali, estão a obrar. Mas afinal andaram a espalhar purgante por aí ou o quê, para todo mundo estar a obrar na via?
Até ouvi que um tal de mano Onde Brecha lhe mandaram parar de obrar ainda um bocado, estava obrar muito e em todo o lado, nem deixava só espaço para os outros também obrarem só lá um bocado.Não mano, é só mesmo o desenvolvimento. Não fica só chateado à toa, não é esse tipo de obrar que estás aí a pensar.
Não é obrar de dispuenenar, é obrar de construir. Então não estás a ver as pontes, as estradas e viadutos, as centralidades e externalidades (essa aprendi agora com a aquele mano aí que está a obrar no Laúca, o Man Borgito, granda obra!)? Achas mesmo que se fosse obra de dipuenenar já não estarias a sentir a funguta em todo o lado?
As vezes, é verdade, sinto assim uma funguta estranha mas acho que não é da obra. A obra só traz um bocado de poeira, buraco que parte só um bocado o ruca e um bocado de engarrafamento, nada de mais. Mas não liga mano, os transtornos passam, os benefícios serão permanentes ou nem tanto assim, mas pronto!
E depois mano, temos de admitir que agora já não temos assim tantos becos escuros aonde se possa obrar. As obras estão mesmo a acabar com os becos, já nem dá mais pra farfalhar a pequena no tal beco.
Além disso, os cassules agora já não obram mais na rua mano. Agora usam fraldas descartáveis e podem carregar o quilo o dia todo sem incomodar ninguém, além do seu próprio matako que fica à mercé do maculo que aproveita para fazer das suas.
Acho que também os outros manos aprenderam que têm que se apressar e obrar já tudo antes que venha a chuva e comece a dispuenenar em cima de todo o trabalho feito e daquele que fica por se fazer. Não achas mano? Algum dia tinham que aprender e ainda bem que foi agora neste ano abençoado.
Mas temos mesmo que continuar a obrar mano. O desenvolvimento não pode esperar a prisão de ventre da crise. Ou vai com purgante ou com o clister trazido da China e enfiado gentilmente no esfíncter retal dos angolanos menos afortunados. Vamos todos espremer e fazer força mano, temos que continuar a obrar.
Por: Anastácio Afonso
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