Mudanças em Luanda

0

Temos fé em que a cidade de todos nós há-de ficar mais linda do que era, porque se assim não for será um autêntico paradoxo, face aos edifícios modernos que ela acolhe e que, certamente, continuarão a ser construídos.

Rotundas e parques públicos estão a ser reabilitados. Há muito que não se via trabalho de saneamento dos colectores/condutas de águas pesadas e leves, bem como o reparo das respectivas sarjetas. Tampos em ferro fundido estão a reaparecer. Oxalá que não voltem a desaparecer.

Do trabalho em curso, para embelezar a nossa Luanda, profissões como as de serralheiro, canalizador, pintor, pedreiro, ladrilhador, projectista, desenhador, arquitecto, carpinteiro, electricista,  voltarão a ter notoriedade, já que a manutenção de uma cidade é permanente. Os corrimões, postos de iluminação pública e outros artefactos de que uma cidade necessita, podem muito bem deixar de ser importados, para não “matar” o operariado nacional e respectivas empresas. Seguramente que as causas das águas permanentes como do Largo Amílcar Cabral, da Sonangol/Sede, do edifício Pólo Norte, do Totobola, da Rua Kwane Nkruma e da ondulante “vala” que se encontra no troço entre o Fundo Lwini e a Rádio Nacional de Angola e TPA, hão-de ser atacados.

Quando o governador de Luanda Francisco Higino Lopes Carneiro, recebeu a missão do Presidente da República José Eduardo dos Santos para governar a capital de Angola, Higino Carneiro, fez recurso a um vocábulo de elevado sentido politico e jurídico para quem exercer o poder: autoridade. De facto, o exercício do poder implica, necessariamente, o uso da autoridade, de uma autoridade suportada pelas leis. Mas é mesmo assim, a autoridade é para se fazer sentir. No uso da autoridade não pode haver excepção quanto ao tratamento de pessoas que se diferenciam entre si em função do lugar que ocupam na sociedade! Luanda continua a ser a cidade mais habitada de Angola: diz-se que foi projectada para 500 mil habitantes, mas, na actualidade, ela é uma cidade em que vivem mais de 6 milhões de seres humanos. E se adicionarmos os animais de estimação, meu Deus! Esse crescimento vertiginoso, mais de 6 milhões e meio em apenas 41 anos de Angola independente, se deve à fuga de vastos contingentes populacionais das suas zonas de origem, na sua maioria rural, para a capital do país, devido à dimensão da guerra que se abateu sobre os angolanos de 1975 a 2002.

Como se esse mal não fosse suficiente, para Luanda convergiram e convergem milhares de expatriados, muitos deles com hábitos mercantis nada condizentes com a realidade angolana. Como resultado dessa contingência social, a nossa “Nguimbe” passou a ter quilómetros de musseques não urbanizados, carentes de arborização, de saneamento, de estradas, de canalização para água potável, de rede eléctrica, de colectores e sarjetas, situação que agravou, sobremaneira, a gestão da planificada cidade para meio milhão de habitantes. Mas desde que Luanda passou a ter o cidadão Higino Carneiro como governador, sem desprimor para os anteriores titulares, a cidade está a mudar para melhor, não obstante a crise financeira que nos assola a todos. Finalmente, seria bom que se começasse a persuadir os peões-transeuntes da imperiosa necessidade de utilizarem as passadeiras e pedonais, porque o que se constata nas vias Deolinda Rodrigues-Viana, Aeroporto-Prenda-Josina Machel e Samba-Corimba, é mesmo um problema de autoridade.

 

Fonte: Jornal de Angola

 

Share.

Leave A Reply