Centro de saúde do Kilamba não responde as necessidades dos moradores

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O centro de saúde da cidade do Kilamba tem problemas de vária ordem, ao ponto de não ter sequer um par de luvas para atender um paciente, ao que consta, os pacientes devem trazer de casa o material para serem assistidos.

Na farmácia, os familiares do paciente devem comprar um par de luvas, seringa, agulha e uma ampola para travar uma febre que apoquenta um jovem. Enquanto isso, a enfermeira chama por outro paciente. Todos os doentes, não importa o diagnóstico feito, recebem a receita e são obrigados a comprar os medicamentos e os referidos materiais gastáveis.
A situação irrita os pacientes e seus familiares, devido ao cenário de abandono a que estão votados há dois anos. No fundo, não são só os doentes que se sentem desamparados, uma vez que os técnicos do centro, que funciona desde 2014 em instalações improvisadas no bloco R da Centralidade do Kilamba, também não são tidos nem achados pelas entidades que cuidam do sector em Luanda. “Nós estamos ao Deus dará”, disse uma técnica em serviço.

A confirmação das informações prestadas por pacientes e técnicos vem da médica Godelive Luvualu, indicada para dirigir o Centro de Saúde de Referência da Cidade do Kilamba que, mesmo com péssimas condições de trabalho, chega a atender cerca de 300 pessoas por dia.

Durante a conversa, a médica explicou que o centro enfrenta graves problemas, desde os mais básicos, como a falta de equipamentos, reagentes e material gastável, e adiantou que só se mantém em funcionamento graças à força de vontade dos seus funcionários. “Só nós sabemos o que passamos para estar ainda aqui. A situação é muito difícil”, desabafa.
A directora revelou que, embora o centro tenha sido inaugurado em Setembro de 2014 pelo então ministro da Saúde, José Van-Dúnem, e pelo antigo governador de Luanda, Graciano Domingos, este último jurista de formação, nunca foi reconhecido pelas próprias autoridades governamentais.“Este centro de saúde funciona praticamente de forma ilegal, embora seja estatal, porque não está reconhecido em Diário da República”, lamentou a médica.

Esta situação é um dos principais factores que faz com que a unidade clínica não seja orçamentada e, com isso, o Ministério das Finanças não consiga cabimentar verbas para a instituição. Enquanto isso, o centro sobrevive à custa de gestos solidários e das contribuições conseguidas através da emissão de atestados médicos e, agora, com as ecografias pélvicas, em que as pacientes desembolsam até quatro mil kwanzas. “Com esse pouco dinheiro, temos conseguido cobrir algumas despesas, mas quase que não dá para nada”, disse Godelive Luvualu.
A directora desta unidade hospitalar avançou que estão sem  receber ajuda alguma da Administração da Cidade do Kilamba, neste momento, a unidade sanitária tem a única ambulância avariada.

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