Expectativas sobre melhoria de vida dos angolanos “tendem a esvair-se”, diz Igreja Católica

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Os bispos católicos angolanos consideraram hoje que as expectativas dos cidadãos de Angola sobre a melhoria da sua condição de vida “tendem a esvair-se”, em dois anos do actual Governo, com uma crise económica que “tarda em ser ultrapassada”.

“Mas, dois anos depois, as expectativas tendem a esvair-se com uma crise económica que tarda em ser ultrapassada e com os mais débeis e pobres a sofrerem as maiores consequências disso”, afirmou Zeferino Martins, arcebispo da província angolana Huambo.

Segundo o prelado católico, que apresentava a nota pastoral sobre a realidade sócio-económica de Angola denominada “O Tempo Urge”, os indicadores macroeconómicos apontam para uma “deterioração cada vez mais progressiva das condições de vida dos cidadãos”.

Para os bispos católicos, a actual situação do país coloca os cidadãos angolanos “sem perspectivas a todos os níveis”, referindo que “há uma desaceleração da dinâmica do crescimento interno com uma contracção negativa de 1,5% no último ano”.

O documento foi apresentado numa conferência de imprensa de balanço da segunda Assembleia Plenária Ordinária da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que decorreu entre quarta-feira e hoje, na província angolana da Lunda Sul.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial fruto da queda do preço do petróleo no mercado internacional, maior suporte da economia angolano, com reflexos na condição sócio-económica dos angolanos.

Os bispos da CEAST recordaram o período das “generosas receitas” do petróleo, afirmando que as receitas, “em muitos casos, foram mal usadas”, devido aos “esquemas de corrupção generalizada” e ao “fraco controlo” por parte do Estado.

Com isso, observam, os recursos económicos do país “esgotaram-se rapidamente” levando ao “endividamento progressivo da nação, um pesado fardo para as gerações presentes e futuras”.

“Preocupa-nos também a inflação galopante e a consequente desvalorização da moeda nacional, o alto índice de desemprego, sobretudo entre os jovens, o aumento exorbitante do custo da cesta básica e do custo de vida em geral”, apontam.

Os bispos católicos assinalam igualmente que a situação económica deixa “uma grande parte da sociedade mergulhada na miséria e sem perspectivas de satisfação a curto prazo das suas necessidades”.

Os elementos da CEAST recordaram que o Governo de João Lourenço, em dois anos de mandato, bateu à porta de outros países e instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, com o propósito de “resgatar Angola da situação difícil em que se encontra”.

“Criou-se uma grande expectativa com o anúncio reiterado da diversificação da economia até ao presente momento sem os resultados esperados”, notam os bispos, referindo que o “desemprego é um flagelo” e a seca prolongada em algumas regiões tem “semeado o desespero entre as populações”.

Para “agravar ainda mais o quadro”, acrescentam, assistimos a “queimadas descontroladas e a uma desflorestação crescente” por todo o país, em consequência do “tráfico da madeira que causa danos irreparáveis ao ambiente”.

Os bispos, contudo, frisaram que a realidade não deve “tirar a esperança” : “Mas a partir da nossa fé, naquele que tudo pode, cultivemos sonhos de um futuro melhor”.

“Acreditando em nós, nas nossas capacidades, na boa vontade dos nossos líderes aos quais damos um voto de confiança”, concluíram.

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